sábado, 3 de janeiro de 2009

Boas vindas

Caros colegas, desejo a todos um excelente ano de 2009. Que o blog sirva como mais um veículo de integração entre a equipe e, agora que está aberto, à comunidade científica da restauração ecológica.
O ano, mesmo com as previsões pessimistas, parece reservar a continuidade dos projetos de adequação ambiental, novos ingressantes no laboratório, a continuidade dos atuais estudos, a reforma do site, a retomada do livro sobre adequação ambiental, a reforma no nosso espaço físico, o aumento nos intercâmbios técnico-científicos, cursos a serem ministrados e muitas, mas muitas mudas e sementes de espécies nativas plantadas por São Paulo e pelo Brasil afora.
Temos muito trabalho a frente, e não dá para fraquejar. Tudo de bom em 2009!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

13º Prêmio Ford de Conservação Ambiental

O LERF ganhou o 13º Prêmio Ford de Conservação Ambiental, na categoria Negócios em Conservação. Vejam no link http://www.conservation.org.br/noticias/noticia.php?id=369

O prêmio foi concedido especialmente devido ao projeto de aproveitamento comercial na Fazenda Guariroba. Parabéns aos que diretamente participaram desse projeto, desde sua concepção até implantação e monitoramento, como a Gabi, Nino e Andrezza, além, claro, do Ricardo, André e Sérgius.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Revista Natureza & Conservação on-line

Pessoal, estão agora disponíveis online todos os números da revista Natureza & Conservação, publicados pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. Eis o link:

http://internet.boticario.com.br/portal/site/fundacao/menuitem.59fac184217a566ee4e25afce2008a0c?epi_menuGrafico=Educacao_Mobilizacao&item_Menu=3

sábado, 22 de novembro de 2008

SEMUFLOR - Simpósio Brasileiro sobre Sementes e Mudas Florestais

De 17 a 20 de novembro foi realizado em Curitiba o Simpósio Brasileiro sobre Sementes e Mudas Florestais. A expectativa era para que o evento trouxesse informações sobre como anda o trabalho de sistematização das normas que irão regularizar o setor de produção de sementes e mudas florestais (nativas e exóticas). Pedro Brancalion e eu estivemos presentes.

A expectativa foi correspondida apenas em parte. Qual não foi nossa surpresa quando constatamos que de simpósio o evento não tinha nada. Era na verdade um tipo de workshop, pois os participantes foram na verdade consultados sobre sugestões de padronização de produção de sementes, manejo e tecnologia de sementes e produção de mudas florestais. Nunca vi pagar para ser consultado...

Afora esse pequeno detalhe, até que deu para aprender um pouco, mas sem chegar a conclusões. A Comissão de sementes e mudas, ligada ao Ministério da Agricultura (MAPA), quer, a partir desse evento, complementar informações geradas nos últimos 3 anos para formatar instruções normativas sobre o assunto. Cerca de 15-20 espécies de cada bioma serão inicialmente padronizadas, e as discussões entrarão no ano de 2009. Por sorte (e insistência dos participantes) o discurso inicial mudou. Inicialmente indicava-se que a comissão organizadora queria que o evento fosse uma contribuição final para essas normas, mas formaram-se grupos que irão discutir esses padrões ao longo dos próximos meses. Dizem que tudo isso será disponibilizado inicialmente no site do evento (http://www.semuflor.com.br/) e no site do MAPA.

Vamos ficar de olho!! A intenção se dúvida alguma é muito boa, e acho que no fim tudo dará certo. O bom das instruções normativas é que elas podem ser atualizadas com mais agilidade, de 2 em 2 anos, por exemplo. Mas que esse evento deixou a desejar, principalmente pela falta de comunicação correta, ah isso deixou...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Ilhas de floresta
Trechos isolados de Mata Atlântica abrigam menos espécies de plantas e de animais

Maria Guimarães
Edição Impressa 153 - Novembro 2008
Pesquisa FAPESP -


Usina Serra Grande: 9 mil hectares de Mata Atlântica preservados em meio à cana-de-açúcar
Ao norte de Alagoas, já na divisa com Pernambuco, o pequeno município de São José da Laje abriga uma centenária usina de açúcar e álcool que nos últimos anos tem funcionado como um importante laboratório natural. É a Usina Serra Grande, que ocupa uma área de 20 mil hectares nos quais diversos trechos de Mata Atlântica encontram-se imersos na paisagem dominada pela cana. Nessa propriedade a equipe do ecólogo Marcelo Tabarelli, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), encontrou o lugar ideal para investigar como a transformação de uma vasta área contínua de mata em trechos isolados de floresta – efeito chamado pelos ecólogos de fragmentação – afeta diferentes espécies de plantas e animais.

Nos 9 mil hectares de Mata Atlântica preservados pela usina a equipe de Tabarelli selecionou para analisar 109 trechos de diversos tamanhos – o maior e mais bem preservado deles é a floresta Coimbra, com 3,5 mil hectares contínuos de Mata Atlântica original. Ao longo de oito anos, os pesquisadores tomaram nota das características biológicas de todas as árvores com mais de dez centímetros de diâmetro encontradas em quatro tipos de ambiente: faixas de cem metros de largura na parte mais externa de Coimbra; trechos no interior dessa floresta; clareiras em que a mata se recuperou; e ilhas de floresta com tamanho entre 3 e 80 hectares inteiramente cercadas pela cana-de-açúcar.

Publicados este ano na revista Biological Conservation, os resultados mostram claramente que a composição de árvores de um trecho de mata cercado por mais mata é muito diferente da composição de árvores de um fragmento inicialmente idêntico mas cercado por uma cultura agrícola como a cana. Os ecólogos pernambucanos verificaram que o número de espécies de árvores nas margens e nos fragmen-tos menores de floresta é metade daquele encontrado no interior de áreas de vegetação natural contínua, como Coimbra. Nas matas empobrecidas há quatro vezes mais espécies – e mais indivíduos – de árvores especializa-das em colonizar áreas alteradas, como clareiras ou florestas em regeneração. São árvores mais resistentes às condições alteradas das zonas de transição entre a floresta e a plantação – as chamadas bordas –, que em geral são mais ensolaradas e quentes, menos úmidas e com ventos mais fortes.

A mudança na composição das espécies de árvores não é a única alte-ração observada nesses trechos de floresta mais degradada. Ariadna Lopes, colega de Tabarelli na UFPE, mostrou que as comunidades de ár-vores perdem determinados tipos reprodutivos quando fragmentos de floresta são isolados uns dos outros. Nos fragmentos de mata não existem árvores polinizadas por aves, por moscas ou mamíferos terrestres, segundo artigo publicado em 2007 na PloS One.

Sobrevivem apenas as árvores que dependem de morcegos e mariposas para a polinização, mas em quantidade menor – cerca de metade do esperado. Também são raras as árvores com flores maiores que dois centímetros.Esses resultados deixam claro que os efeitos de borda eliminam – ao menos em parte – as árvores que ne-cessitam de polinização especializada para se reproduzir.

Essa influência pode se estender até 300 metros mata adentro. Nesses fragmentos passam a crescer apenas árvores de espécies mais generalistas, que, de acordo com Ariadna, podem ser polinizadas por diversos insetos pequenos e resistem melhor a condições de vida menos ideais. “Esse efeito faz os fragmentos menores se comportarem como se fossem inteiramente borda”, diz Ariadna.A redução de espécies de árvores gera um círculo vicioso: há empobrecimento das populações de animais, que, por sua vez, leva à redução ainda maior da população de plantas. Sem as plantas, os animais que depen-dem do pólen, do néctar, dos frutos ou das folhas não têm como sobreviver nos fragmentos de mata, onde ficam ilhados, uma vez que não conseguem atravessar o canavial, onde não há alimento nem abrigo. Como as plantas também precisam dos animais para se reproduzir e se disseminar, elas seguem a fauna no empobreci-mento.

Os levantamentos da equipe do zoó-logo Rossano Mendes Pontes, também da UFPE, confirmam entre os animais a mesma tendência observada com as espécies de árvores. O grupo espalhou armadilhas para a captura de mamíferos pelas matas da Usina Serra Grande e constatou que nenhum dos fragmentos abriga toda a diversidade de mamíferos. Assim como as plantas, só roedores mais generalistas conseguem sobreviver em boa parte das menores ilhas de mata.Nem sempre adianta ter asas para circular entre ilhas de floresta. Estudos realizados em trechos de Mata A-tlântica na Região Sudeste do país vêm mostrando que também as aves sofrem o impacto da fragmentação. Como parte de um projeto integrante do programa Biota/FAPESP e de uma colaboração com pesquisadores da Universidade de Friburgo, na Alemanha, a equipe do ecólogo Jean Paul Metzger, da Universidade de São Paulo, vem investigando o comportamento de diversas espécies de aves na reserva de Morro Grande, no planalto de Ibiúna, a 40 quilômetros da cidade de São Paulo.

Os pesquisadores constataram que os tangarás-dançarinos (Chiroxiphia caudata) e os vira-folhas (Sclerurus scansor), por exemplo, evitam as bordas da floresta. O artigo, publicado este ano na Biological Conservation, calcula que fragmentos arredondados precisam ter pelo menos 23 hectares para que metade de sua área mante-nha as características de miolo de floresta essenciais para a sobrevivência desses pássaros.
Já os papa-taocas (Pyriglena leucoptera), que dentro da mata preferem zonas de vegetação mais densa, se dão bem no emaranhado de bambus e trepadeiras que caracteriza a borda. A maior parte das espécies de aves reside no abrigo da floresta. É o que mostrou o grupo da USP num levantamento que incluiu 62 espécies de aves e será publicado em breve na Biological Conservation. Eles verificaram que a conexão entre os fragmentos – seja por faixas de mata ou descampados de até 30 metros separando um trecho de floresta de outro – é o fator mais importante para permitir o trânsito das aves, com exceção das onívoras e frugívoras que dependem de áreas maiores para conseguir alimento suficiente.

Para Metzger, não há uma fórmula mágica para garantir o funcionamento ecológico da Mata Atlântica. Espécies diferentes têm necessidades distintas e é preciso lidar com a situação atual: uma floresta altamente fragmentada onde não há muitos trechos extensos de vegetação natural contínua. Diante disso, o ideal é preservar algumas áreas grandes para garantir a sobrevivência de animais altamente sensíveis a perturbações, que se intimidam até quando se vêem obrigados a atravessar – mesmo que voando – uma estrada de terra, e concentrar esforços em manter a ligação entre fragmentos menores.As plantas também agradeceriam. “Se usarmos corredores para unir fragmentos de bom tamanho a outros, mesmo que menores, os animais vão atravessá-los, levando sementes e pólen”, comenta Ariadna. Ainda que os efeitos de borda afetem corredores e manchas de floresta, a pesquisadora explica que o trânsito de animais ajudaria a regenerar a floresta e torná-la menos homogênea. Pode ser o caminho para recuperar e manter a diversidade biológica que encantou os europeus no século XVI e é ainda a riqueza maior da Mata Atlântica.Em fragmentos pequenos, porém, não adianta. Com base no trabalho de seu grupo e de outros que con-duzem experimentos semelhantes na Amazônia, Tabarelli sintetiza suas descobertas: “A floresta madura, quando extremamente fragmentada, tende a se transformar em capoeira e permanecer como capoeira, uma mata jovem formada quase exclusivamente por espécies colonizadoras, com pouca diversidade biológica”. É, segundo ele, a primeira vez que se formula uma hipótese sintetizando e integrando os principais efeitos da fragmentação sobre a floresta.

O alerta está no comentário que o ecólogo da UFPE escreveu, com Ariadna e Carlos Peres, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, a convite da revista Biotropica. Para Tabarelli, a única forma de preservar comunidades de plantas e animais com estrutura semelhante à de uma floresta madura é manter trechos de vegetação natural com no mínimo 10 mil hectares e grandes áreas livres dos efeitos de borda. Pode parecer muita terra, mas para grandes predadores não basta. “Fragmentos de floresta com 10 mil hectares provavelmente são insuficientes para manter populações viáveis de felinos como a onça-pintada ou a jaguatirica”, diz. Essa situação preocupa porque ao norte do rio São Francisco praticamente não restam mais trechos de Mata Atlântica com mais de 5 mil hectares.

Artigos científicos.
GIRÃO, L.C.; LOPES, A.V.; TABARELLI, M. & BRUNA, E.M. Changes in tree reproductive traits reduce functional diversity in a fragmented Atlantic forest landscape. PLoS One, v. 2(9), p. e908. 2007.2.
SANTOS, B.A. et al. Drastic erosion in functional attributes of tree assemblages in Atlantic forest fragments of northeastern Brazil. Biological Conservation, v. 141, p. 249-260. 2008.3.
TABARELLI, M.; LOPES, A.V. & PERES, C.A. Edge-effects drive tropical forest fragments towards an early-successional system. Biotropica. v. 40, n. 7. 2008.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

IPCC e Mudanças Climáticas Globais

Caros colegas, ontem eu, Nino e Larissa (Unicamp) estivemos na sede da FAPESP em São Paulo para a apresentação dos dados mais recentes compilados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) (http://www.ipcc.ch/).

Estiveram presentes autoridades como Prof. Martin Perry (ex Co-presidente do IPCC; foi Co-presidente durante o Grupo 2 do IPCC no Quarto Relatório de Avaliação de 2007; Imperial College London), o atual Co-presidente do IPCC do Grupo 2 no Quarto Relatório de Avaliação de 2008 Prof. Vicente Barros (Prof. Emérito do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Buenos Aires; Argentino) e o coordenador do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, Carlos Nobre.

Carlos Nobre intermediou as conversas, perguntas e fez a apresentação dos palestrantes. As palestras ministradas foram: Impacts of climate change: the challenge for adaptation and mitigation (Prof. Martin Perry) e Climate change and adaptation in Southern South America (Prof. Vicente Barros).

Bom, envio esse e-mail com algumas anotações e compilações de dados apresentados durante o evento, pois acho que todos devem saber a atual situação do aquecimento global e suas consequências para o ser humano.O quadro que já não era favorável se tornou ainda pior!! Antes o IPCC colocava que tinhamos que reduzir as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) em 50% até 2050 (3%/ano), o que não vinha acontecendo. Mas com o Quarto Relatório de 2007, esse número sobe para 80%, o que significa que temos 40 anos para reduzir as emissões de GEE quase total, e segundo Nobre, essa porcentagem pode ser ainda subestimada, ou seja, otimista demais.
Mas, o pior é que essa redução de 80% das emissões não é para que não tenhamos consequências severas para o planeta e o aquecimento global pare, e sim para que atinjamos a meta de manter o aquecimento em "apenas" 2 graus célcius em relação ao período pré-industrial (quadro mais otimista), ou seja, 1,4 graus a mais do que atualmente, uma vez que já vivemos em um planeta 0,6 graus célcius mais quente do que antes das indústrias, o que já acarretaria em uma série de sérios danos ao ser humano segundo os modelos do IPCC.

Em suma, precisamos reduzir em 80% para que os danos sejam os menos severos possíveis e atinjamos o quadro mais otimista dos modelos do IPCC, o que na minha opinião é meio impossível em 40 anos se continuarmos dando a importância que os governos vêm dando. Detalhe que os modelos não prevêm a degradação que acontece e se intensificará com o aquecimento aos sistemas capturadores de CO2, como os oceanos e florestas.

Algumas das principais conclusões do IPCC apresentada foram:

  • O aquecimento global e as mudanças climáticas estão acontecendo e são ligados à emissão de GEE inequivocadamente, principalmente CO2;
  • Alguns impactos já ocorrem atualmente e futuros impactos severos serão inevitáveis;
  • Necessário reduzir em 80% as emissões de GEE para atingir o quadro mais otimista do IPCC e evitar danos astronômicos ao planeta;
  • Muito importante é a busca por adaptação às mudanças e os impactos futuros;
  • Os impactos mais importantes serão na disponibilidade de água;
  • O segundo grande impacto será aos ecossistemas, com perdas astronômicas de biodiversidade, algo como 25% das spp. de Cerrado e 45% das árvores da Amazônia;
  • O terceiro grande impacto será na produção de alimento;
  • O quarto impacto será o aumento do nível do mar e de tufões e chuvas fortes e volumosas;
  • As regiões mais atingidas serão: África, mega deltas Asiáticos, pequenas ilhas e o Ártico. Na América do Sul, o Nordeste do Brasil;
  • Populações mais atingidas: pobres, crianças, idosos e marginalizados;
  • Eventos como a onda de calor de 2003 que atingiu a Europa em agosto e matou milhares de pessoas serão comuns, algo como ano sim, ano não, e devemos nos adaptar para evitar mortes, o que estamos aprendendo relativamente bem.

Bom, espero ter compilado as principais informações que absorvi durante o evento do dia 30/10/2008. Estou um tanto quanto pessimista com esse quadro, espero que as autoridades governamentais mundiais, ao lerem o Quarto Relatório de 2007 do IPCC, tomem as devidas providências para que o pior não aconteça!! Não consigo imaginar o que será difícil viver com falta de água, comida, migrações de milhares de pessoas pobres pelo mundo, mas o pior, a perda da vida do planeta, da biodiversidade, que durante bilhões de anos se adaptou a viver aqui na Terra, deu origem a uma infinidade de espécies cada qual com suas belas características e tem o direito de aqui permanecer e continuar sua jornada adaptativa. Imaginem perdermos 45% das espécies arbóreas da Amazônia, me dá um aperto no coração, sinceramente!

Grande abraço a todos!!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Latin American Landscape Ecology Conference

Esse é imperdível, e pertinho de Piracicaba: Latin American Landscape Ecology Conference, em Campos do Jordão, outubro de 2009. Mais informações em http://www.eventus.com.br/ialebr2009/.
Precisamos nos programar para ver as possibilidades de envio de trabalhos através do Programa de Adequação Ambiental, especialmente as análises que o Leandro Tambosi está fazendo.
Voltaremos a nos falar!