quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Cana "empurrando" o gado
Vejam as fotos abaixo, tiradas em um sobrevôo na região de Lençóis Paulista, SP. Mais uma comprovação do que temos constatado em campo: a cana "empurrando" o gado para os limites da APP.
Se por um lado a imagem mostra esse impacto, por outro mostra potenciais áreas de compensação como Reserva Legal, visto que a pastagem excede os limites da APP. Isso, claro, desde que o gado seja retirado!
A imagem nos foi cedida pela equipe da Usina Zilor, cujo Programa de Adequação Ambiental está sendo conduzido pelo Leandro, Adriana, Michel e Thaís. Um dos pontos a serem apresentados no trabalho será a necessidade de atuar junto aos arrendados para que essa situação seja regularizada.
Ontem estivemos lá para apresentar os resultados da amostragem feita em áreas próprias e arrendadas, entre os meses de novembro e dezembro de 2007. Mais uma vez, mesmo na amostragem, os valores coincidiram com as médias que temos encontrado nos projetos: cerca de 9-10% de APP, entre 2-3% da área total com APP em situação irregular (com uso agrícola) e um déficit de aproximadamente 12% de Reserva Legal.
Se por um lado a imagem mostra esse impacto, por outro mostra potenciais áreas de compensação como Reserva Legal, visto que a pastagem excede os limites da APP. Isso, claro, desde que o gado seja retirado!
A imagem nos foi cedida pela equipe da Usina Zilor, cujo Programa de Adequação Ambiental está sendo conduzido pelo Leandro, Adriana, Michel e Thaís. Um dos pontos a serem apresentados no trabalho será a necessidade de atuar junto aos arrendados para que essa situação seja regularizada.
Ontem estivemos lá para apresentar os resultados da amostragem feita em áreas próprias e arrendadas, entre os meses de novembro e dezembro de 2007. Mais uma vez, mesmo na amostragem, os valores coincidiram com as médias que temos encontrado nos projetos: cerca de 9-10% de APP, entre 2-3% da área total com APP em situação irregular (com uso agrícola) e um déficit de aproximadamente 12% de Reserva Legal.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Sanando dúvidas na Usina São Manoel
Hoje uma equipe do LERF (Rubens, Bárbara, Ricardo e eu) esteve na Usina São Manoel para iniciar um trabalho que, se tudo der certo, será repetido nas outras usinas: a conferência dos mapas de adequação ambiental e a resolução de dúvidas em campo.
A presença do Ricardo foi extremamente enriquecedora, pois além de permitir o melhor entendimento das situações, dá um respaldo maior junto à equipe da usina. Algumas áreas foram checadas devido a dúvidas que Rubens e Bárbara tinham, enquanto outras foram sorteadas.
Esse trabalho de hoje, inclusive, levará a alguns ajustes na legenda que estamos construindo, além de ter esclarecido (assim se espera) a interpretação que devemos fazer para os campos úmidos e Matas de Brejo.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
O "poder" dos blogs
Reportagem do Estadão, de 07/02/08. Desculpem-me pelo fato da mensagem não ter caráter técnico, mas creio que vale a pena ler, para que todos valorizem esse espaço.
Empresas buscam ''blogueiros''
Profissional deve desenvolver novo canal de comunicação com os clientes e funcionários
Ana Paula Lacerda
Das 500 maiores empresas do mundo, apontadas pela revista Forbes, apenas 9% possuem blogs corporativos que possam ser acessados pelos internautas através da Web. "No Brasil, ainda estamos pesquisando, mas certamente esse número é ainda menor", diz o consultor de internet da W3 Geoinformação, Aloísio Sotero. Mas há um movimento de criação de blogs corporativos. "Atualmente, estamos com projetos para a criação do blog de 5 CEOs, nas áreas de varejo, serviços e tecnologia", diz ele. "Primeiro, esses blogs serão abertos para os funcionários das empresas. Talvez, mais tarde, eles se tornarão públicos."
O interesse em conhecer melhor o funcionamento e alcance fez com que a Jump Education, uma instituição especializada no ensino de tecnologia, criasse um curso para executivos com foco na criação de blogs corporativos. "Tivemos uma procura muito grande, principalmente pelos diretores de comunicação das empresas", comenta a diretora de conteúdo da Jump Education, Maristela Alves.
Segundo ela, isso ocorreu porque as empresas perceberam que muitos clientes gostam de ter um canal mais interativo de comunicação, e o blog permite que eles façam comentários sobre as atividades da empresa. "As empresas estão entendendo que essa pode ser uma ferramenta que pode gerar mais negócios e mostrar transparência ao consumidor."
A diretora de mídia da L'Oreal, Patrícia Barbieri, diz que a empresa estuda a possibilidade de ter um blog. "Não há nada definido, mas não podemos negar que é uma ferramenta interessante." Para ela, quando a empresa cria um blog, precisa ter um objetivo claro. "Não vamos criar só porque outras empresas têm. Toda empresa pode ter um blog, desde que tenha uma estratégia de comunicação definida."
Sotero, da W3, concorda. "Primeiro a empresa tem de saber para quem quer escrever. Depois, quem vai escrever o blog. Pode ser o CEO, um diretor ou uma equipe, mas precisa ser alguém que conheça bem a empresa."
A publicitária e blogueira da Natura, Luciana Bullara, diz que cada empresa deve buscar o profissional mais adequado para cuidar de seu blog. "Eu sou consultora da Natura e gosto do estilo de vida que a empresa prega. Não sei se conseguiria escrever o blog de uma montadora."
Para o vice-presidente da Adrenax Capital, Gil Giardelli, os bons blogs corporativos são aqueles que não pensam apenas em vender produtos. "É preciso falar de tudo que possa interessar ao seu público-alvo." Ele cita como blogs interessantes os do HSBC e da Melissa, no Brasil. "Eles criaram no internauta o hábito de ler." E o mais importante: abrem espaço para discussão."
Se não houver espaço para comentários, o blog vira um veículo chapa-branca", diz Giardelli. Ele cita como exemplo o blog da companhia aérea JetBlue, nos EUA. "Após uma série de problemas nos aeroportos, representantes da empresa pediram desculpas aos consumidores pelo blog. Foram elogiados." Ele também elogia o blog do Google.
O BOM BLOG
Transparência: Um bom blog corporativo fala das novidades da empresa - boas e ruins - e assuntos que interessem ao público-alvo, com espaço para os internautas comentarem. Críticas devem ser recebidas e respondidas, não apagadas.
Moderação: Apesar do espaço livre para comentários, deve-se manter a ordem no blog. Ofensas e palavrões, por exemplo, não devem ser aceitos.
Periodicidade: Tenha dias certos para escrever, para criar o hábito de leitura.
Linguagem: Os textos do blog devem parecer uma conversa, não um relatório. Use linguagem leve, mas evite a linguagem de internet onde se abreviam e trocam letras.
Empresas buscam ''blogueiros''
Profissional deve desenvolver novo canal de comunicação com os clientes e funcionários
Ana Paula Lacerda
Das 500 maiores empresas do mundo, apontadas pela revista Forbes, apenas 9% possuem blogs corporativos que possam ser acessados pelos internautas através da Web. "No Brasil, ainda estamos pesquisando, mas certamente esse número é ainda menor", diz o consultor de internet da W3 Geoinformação, Aloísio Sotero. Mas há um movimento de criação de blogs corporativos. "Atualmente, estamos com projetos para a criação do blog de 5 CEOs, nas áreas de varejo, serviços e tecnologia", diz ele. "Primeiro, esses blogs serão abertos para os funcionários das empresas. Talvez, mais tarde, eles se tornarão públicos."
O interesse em conhecer melhor o funcionamento e alcance fez com que a Jump Education, uma instituição especializada no ensino de tecnologia, criasse um curso para executivos com foco na criação de blogs corporativos. "Tivemos uma procura muito grande, principalmente pelos diretores de comunicação das empresas", comenta a diretora de conteúdo da Jump Education, Maristela Alves.
Segundo ela, isso ocorreu porque as empresas perceberam que muitos clientes gostam de ter um canal mais interativo de comunicação, e o blog permite que eles façam comentários sobre as atividades da empresa. "As empresas estão entendendo que essa pode ser uma ferramenta que pode gerar mais negócios e mostrar transparência ao consumidor."
A diretora de mídia da L'Oreal, Patrícia Barbieri, diz que a empresa estuda a possibilidade de ter um blog. "Não há nada definido, mas não podemos negar que é uma ferramenta interessante." Para ela, quando a empresa cria um blog, precisa ter um objetivo claro. "Não vamos criar só porque outras empresas têm. Toda empresa pode ter um blog, desde que tenha uma estratégia de comunicação definida."
Sotero, da W3, concorda. "Primeiro a empresa tem de saber para quem quer escrever. Depois, quem vai escrever o blog. Pode ser o CEO, um diretor ou uma equipe, mas precisa ser alguém que conheça bem a empresa."
A publicitária e blogueira da Natura, Luciana Bullara, diz que cada empresa deve buscar o profissional mais adequado para cuidar de seu blog. "Eu sou consultora da Natura e gosto do estilo de vida que a empresa prega. Não sei se conseguiria escrever o blog de uma montadora."
Para o vice-presidente da Adrenax Capital, Gil Giardelli, os bons blogs corporativos são aqueles que não pensam apenas em vender produtos. "É preciso falar de tudo que possa interessar ao seu público-alvo." Ele cita como blogs interessantes os do HSBC e da Melissa, no Brasil. "Eles criaram no internauta o hábito de ler." E o mais importante: abrem espaço para discussão."
Se não houver espaço para comentários, o blog vira um veículo chapa-branca", diz Giardelli. Ele cita como exemplo o blog da companhia aérea JetBlue, nos EUA. "Após uma série de problemas nos aeroportos, representantes da empresa pediram desculpas aos consumidores pelo blog. Foram elogiados." Ele também elogia o blog do Google.
O BOM BLOG
Transparência: Um bom blog corporativo fala das novidades da empresa - boas e ruins - e assuntos que interessem ao público-alvo, com espaço para os internautas comentarem. Críticas devem ser recebidas e respondidas, não apagadas.
Moderação: Apesar do espaço livre para comentários, deve-se manter a ordem no blog. Ofensas e palavrões, por exemplo, não devem ser aceitos.
Periodicidade: Tenha dias certos para escrever, para criar o hábito de leitura.
Linguagem: Os textos do blog devem parecer uma conversa, não um relatório. Use linguagem leve, mas evite a linguagem de internet onde se abreviam e trocam letras.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Dica de site
Colegas, para quem gosta de informativos com notícias sobre meio-ambiente, sugiro o site O Eco (http://www.oeco.org.br).
A agenda deles tende a ser mais conservacionista, com sessões mais críticas e focadas, algumas vezes polêmicas. Para os que curtem, há sessão de fotografia. Entre os colunistas estão Marcos Sá Corrêa (ex-editor chefe da Veja) e Maria Tereza Jorge Pádua (uma das precursoras do conceito de unidades de conservação no país).
A agenda deles tende a ser mais conservacionista, com sessões mais críticas e focadas, algumas vezes polêmicas. Para os que curtem, há sessão de fotografia. Entre os colunistas estão Marcos Sá Corrêa (ex-editor chefe da Veja) e Maria Tereza Jorge Pádua (uma das precursoras do conceito de unidades de conservação no país).
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Frutal/Itapagipe
Apesar de cruzar as fronteiras entre SP e MG pouco se modifica ao longo da paisagem. Poucas árvores e muita cana....Mas a presença do magestoso Buriti faz-se notar que cruzamos a fronteira. É interessante notar, parece que a ocorrência desta espécie obedece as fronteiras políticas de nosso país. Bastou cruzar a fronteira para ver a presença de Buritizais na paisagem.....Mistérios para um estudo fitogeográfico....
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Publicar ou perecer...
Publicar ou perecer
07/02/2008 Por Thiago Romero
Agência FAPESP – A contabilização numérica de artigos publicados em revistas científicas legitima acadêmicos em seus campos de atuação. Mas em um cenário em que recursos de internet estão cada vez mais avançados, os papers podem ter se tornado uma mercadoria acadêmica que estaria seguindo a tendência do “darwinismo bibliográfico”, cujo lema é publicar ou perecer.
Essas são algumas conclusões do artigo Entre fetichismo e sobrevivência: O artigo científico é uma mercadoria acadêmica?, publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os autores são Luis David Castiel, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) da Fiocruz, e Javier Sanz-Valero, da Universidade de Alicante, na Espanha.
O trabalho aponta que as novas tecnologias de informação e comunicação servem de base para a atual concepção de produtividade em pesquisa, que se baseia sobretudo na quantidade de artigos publicados em diferentes revistas, fazendo com que os papers sejam vistos como uma espécie de capital simbólico. O estudo se baseou em outros trabalhos sobre o assunto, de autores de diversos países.
“Trata-se de uma crítica ao primado da perspectiva empiricista que estabelece a produção de evidências quantitativas como única forma de visualizar, dar significado e valorizar o conhecimento científico”, disse Luis Castiel, pesquisador do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da Ensp, à Agência FAPESP.
Castiel ressalta que o estudo foi baseado na produção anterior em sociologia do conhecimento científico, que não se baseia em resultados empíricos ou lógicos. “A função de nosso trabalho não é questionar o método científico, mas promover o debate sobre a contribuição dos artigos publicados para o avanço do conhecimento.”
De acordo com Castiel, o que chama de “darwinismo bibliográfico”, caracteriza-se por uma luta pela sobrevivência na qual os acadêmicos mais aptos se destacam. Do mesmo modo, nas revistas científicas haveria uma “luta ferrenha” entre diferentes artigos para ocupar um mesmo espaço editorial.
“E, nesse jogo, vale até práticas como, antes de enviar um trabalho para uma determinada revista, preocupar-se em incluir referências bibliográficas da própria publicação para seduzir, de alguma forma, os editores e mostrar que o trabalho irá colaborar para melhorar o índice de impacto da revista. Ou seja, é um artigo cuja bibliografia tem outros artigos do próprio veículo”, disse o pesquisador.
Publicacionismo científico
Umas das conseqüências desse “publicacionismo”, segundo Castiel, seria o fato de a quantidade de artigos ditar, ou pelo menos influenciar, os rumos da produção científica. Tal influência teria forte relação com o “citacionismo”, ou a necessidade de produzir artigos que tenham vitalidade para estar em outras publicações.
A principal questão é que um trabalho muito citado não necessariamente representa avanço no conhecimento ou alta produtividade em pesquisa. “A ênfase citacionista, como avaliação de qualidade de uma obra acadêmica, pode se tornar um círculo vicioso que, de alguma maneira, participa da sustentação de modelos ideológicos que definem como devem ser os processos de busca e produção do conhecimento”, disse Castiel, que também integra o comitê editorial dos Cadernos de Saúde Pública.
Para ele, no fim das contas esse contexto pode acabar promovendo a manutenção de uma cultura tecnológica globalizada, que estimula “as precariedades do excesso de informações redundantes ou supérfluas”.
Um mesmo conteúdo que aparece em vários artigos, por exemplo, após receber pequenas mudanças, foi chamado pelos autores de “ciência-salame”: uma pesquisa é fatiada em unidades menores publicáveis para se tornar diversos artigos distribuídos em diferentes revistas.
Por conta disso, o artigo teria passado a ser não apenas um produto da prática científica, mas também um elemento produtor de relações sócio-históricas e políticas dentro das comunidades acadêmicas.
“Diante do excesso de publicação, os pesquisadores estão cada vez menos lendo os textos na íntegra. Hoje, é praticamente impossível ler todos os estudos publicados em uma única área de pesquisa. Estima-se, também, com base em estudos bibliométricos, que aproximadamente 50% dos trabalhos publicados em ciências sociais, por exemplo, nunca serão citados”, disse Castiel.
Para ler o artigo Entre fetichismo e sobrevivência: O artigo científico é uma mercadoria acadêmica?, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui
07/02/2008 Por Thiago Romero
Agência FAPESP – A contabilização numérica de artigos publicados em revistas científicas legitima acadêmicos em seus campos de atuação. Mas em um cenário em que recursos de internet estão cada vez mais avançados, os papers podem ter se tornado uma mercadoria acadêmica que estaria seguindo a tendência do “darwinismo bibliográfico”, cujo lema é publicar ou perecer.
Essas são algumas conclusões do artigo Entre fetichismo e sobrevivência: O artigo científico é uma mercadoria acadêmica?, publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os autores são Luis David Castiel, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) da Fiocruz, e Javier Sanz-Valero, da Universidade de Alicante, na Espanha.
O trabalho aponta que as novas tecnologias de informação e comunicação servem de base para a atual concepção de produtividade em pesquisa, que se baseia sobretudo na quantidade de artigos publicados em diferentes revistas, fazendo com que os papers sejam vistos como uma espécie de capital simbólico. O estudo se baseou em outros trabalhos sobre o assunto, de autores de diversos países.
“Trata-se de uma crítica ao primado da perspectiva empiricista que estabelece a produção de evidências quantitativas como única forma de visualizar, dar significado e valorizar o conhecimento científico”, disse Luis Castiel, pesquisador do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da Ensp, à Agência FAPESP.
Castiel ressalta que o estudo foi baseado na produção anterior em sociologia do conhecimento científico, que não se baseia em resultados empíricos ou lógicos. “A função de nosso trabalho não é questionar o método científico, mas promover o debate sobre a contribuição dos artigos publicados para o avanço do conhecimento.”
De acordo com Castiel, o que chama de “darwinismo bibliográfico”, caracteriza-se por uma luta pela sobrevivência na qual os acadêmicos mais aptos se destacam. Do mesmo modo, nas revistas científicas haveria uma “luta ferrenha” entre diferentes artigos para ocupar um mesmo espaço editorial.
“E, nesse jogo, vale até práticas como, antes de enviar um trabalho para uma determinada revista, preocupar-se em incluir referências bibliográficas da própria publicação para seduzir, de alguma forma, os editores e mostrar que o trabalho irá colaborar para melhorar o índice de impacto da revista. Ou seja, é um artigo cuja bibliografia tem outros artigos do próprio veículo”, disse o pesquisador.
Publicacionismo científico
Umas das conseqüências desse “publicacionismo”, segundo Castiel, seria o fato de a quantidade de artigos ditar, ou pelo menos influenciar, os rumos da produção científica. Tal influência teria forte relação com o “citacionismo”, ou a necessidade de produzir artigos que tenham vitalidade para estar em outras publicações.
A principal questão é que um trabalho muito citado não necessariamente representa avanço no conhecimento ou alta produtividade em pesquisa. “A ênfase citacionista, como avaliação de qualidade de uma obra acadêmica, pode se tornar um círculo vicioso que, de alguma maneira, participa da sustentação de modelos ideológicos que definem como devem ser os processos de busca e produção do conhecimento”, disse Castiel, que também integra o comitê editorial dos Cadernos de Saúde Pública.
Para ele, no fim das contas esse contexto pode acabar promovendo a manutenção de uma cultura tecnológica globalizada, que estimula “as precariedades do excesso de informações redundantes ou supérfluas”.
Um mesmo conteúdo que aparece em vários artigos, por exemplo, após receber pequenas mudanças, foi chamado pelos autores de “ciência-salame”: uma pesquisa é fatiada em unidades menores publicáveis para se tornar diversos artigos distribuídos em diferentes revistas.
Por conta disso, o artigo teria passado a ser não apenas um produto da prática científica, mas também um elemento produtor de relações sócio-históricas e políticas dentro das comunidades acadêmicas.
“Diante do excesso de publicação, os pesquisadores estão cada vez menos lendo os textos na íntegra. Hoje, é praticamente impossível ler todos os estudos publicados em uma única área de pesquisa. Estima-se, também, com base em estudos bibliométricos, que aproximadamente 50% dos trabalhos publicados em ciências sociais, por exemplo, nunca serão citados”, disse Castiel.
Para ler o artigo Entre fetichismo e sobrevivência: O artigo científico é uma mercadoria acadêmica?, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
1 ano de semeadura direta na Usina São João (Araras)
Hoje o experimento de semeadura direta com arbóreas nativas, tema do meu Doutorado, completa exatamente 1 ano. Vejam que minhas "filhas" estão indo bem, embora haja alguns pontos de melhoria (como o ajuste na densidade de sementes e as falhas de germinação causadas pelo excesso de água em alguns pontos). Mas considero o método promissor, ao menos como uma alternativa ao plantio de mudas. Os dados do último monitoramento (novembro de 2007) ainda precisam ser analisados.
Já o segundo experimento, implantado há duas semanas, também já está mostrando resultados. Vejam abaixo uma das primeiras orelhas-de-negro germinadas (Enterolobium contortisiliquum). No dia 22.02 farei o primeiro monitoramento de germinação.
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