segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Fim do Desflorestamento na Amazônia
Agência FAPESP – O surgimento de duas oportunidades históricas pode diminuir e até mesmo acabar com o processo de desflorestamento na Floresta Amazônia. A constatação está em artigo publicado por cientistas do Brasil e dos Estados Unidos na nova edição da revista Science.
Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Center (Estados Unidos), da Universidade Federal do Pará e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e colegas discutem as duas oportunidades que não podem ser perdidas.
A primeira é o compromisso do governo federal brasileiro, anunciado em 2008, de reduzir o desflorestamento na Amazônia em 80% até 2020. Iniciativa que conta com apoio das Nações Unidas e da Noruega, que se comprometeu a doar até US$ 1 bilhão para o Fundo Amazônia.
Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o fundo tem por finalidade captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no bioma amazônico.
A segunda oportunidade, segundo os autores, são as mudanças recentes nas indústrias de carne e soja, principais motores do desflorestamento amazônico, que começaram a cortar de suas cadeias produtivas empresas que lucram com o desmatamento.
“De acordo com nossa análise, esses desenvolvimentos recentes finalmente tornaram viáveis o fim do desflorestamento na Amazônia brasileira, o que poderá resultar em uma redução de 2% a 5% nas emissões globais de carbono”, destacaram os autores.
Nepstad e colegas estimaram os custos de um programa de dez anos para acabar com o desflorestamento e destacaram os benefícios dessa diminuição, como redução nas queimadas, na poluição do ar, em enchentes e na perda da biodiversidade, entre outros.
O custo estimado estaria entre US$ 7 bilhões e US$ 18 bilhões, incluindo apoio a comunidades locais e melhoria no gerenciamento na fiscalização de áreas protegidas. O montante poderia ser compensado, apontam os autores, por mecanismos como a Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação (REDD), em negociação no tratado climático das Nações Unidas, ou o recebimento de créditos de carbono.
O artigo The End of Deforestation in the Brazilian Amazon, de Daniel Nepstad e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Mais um ganho e aplicação dos MAPAS DO BIOTA
6/11/2009
Por Fábio de Castro
A Resolução da SMA 74, publicada no dia 20 de outubro, tem o objetivo de aprimorar as medidas existentes para reduzir os impactos ambientais causados pelo setor de mineração – uma “atividade modificadora do meio ambiente, que pode gerar impactos à paisagem, à topografia e ao solo”, como destaca o texto.
Com a resolução, a emissão das licenças prévias e de instalação de novos empreendimentos de mineração – assim como a ampliação daqueles já existentes – fica condicionada à revegetação de uma área correspondente à área de extração. Mas a escala de área de vegetação varia de acordo com a classificação presente nos mapas do Biota-FAPESP.
O sistema é escalonado. A mineradora que pretender realizar extrações em áreas prioritárias correspondentes às escalas 1 e 2 do mapa deverá reflorestar uma área igual à que for desmatada. Em áreas classificadas como escalas de 3 a 5, a revegetação terá que ocorrer em áreas duas vezes maior que a do empreendimento. Para projetos localizados nas escalas 6 a 8 do mapa, com maior prioridade de conservação, as mineradoras deverão reflorestar área seis vezes maior que a área impactada.
Segundo a assessora da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN) da SMA, Neide Araujo, a resolução amplia significativamente as medidas necessárias para a mitigação dos impactos ambientais das atividades de mineração. “A SMA entendeu que havia necessidade de ampliar a mitigação de impactos dessa atividade. A resolução define, portanto, que a revegetação exigida das mineradoras quando elas pedem aprovação de um projeto será proporcional ao tamanho da área a ser degradada”, disse Neide à Agência FAPESP.
De acordo com ela, no entanto, essa proporcionalidade seguirá a importância ambiental, para o Estado de São Paulo, da área degradada pela mineradora. “Era preciso ter um critério objetivo para definir a importância de cada área em termos de conservação. O subsídio para auferir essa importância foi fornecido pelos estudos feitos no âmbito do Biota-FAPESP”, explicou.
O coordenador do Biota-FAPESP, Carlos Alfredo Joly, lembra que, antes da nova resolução com foco nas atividades de mineração, os diversos mapas de áreas prioritárias para conservação e recuperação da biodiversidade produzidos pelo programa resultaram em várias outras aplicações em sustentação de políticas públicas.
“A multiplicação das resoluções, decretos e atos normativos do governo paulista com base nos mapas do Biota-FAPESP decorre da solidez da base de dados e da precisão das ferramentas de ecologia da paisagem utilizadas no projeto que gerou esses mapas. Portanto é de se esperar que por muito tempo os resultados do programa continuem sendo utilizados para aperfeiçoar políticas de conservação e recuperação da biodiversidade paulista”, disse à Agência FAPESP.
Antes disso, os mapas forneceram à Secretaria de Agricultura uma ferramenta para o zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro – o primeiro adotado por um Estado a partir de parâmetros hidrográficos, físicos, topográficos e climáticos.
Em 2008, os mapas foram base para uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente que determinou que a autorização para supressão de vegetação nativa em território paulista deve se basear no mapa Áreas prioritárias para incremento da Conectividade.
Em 2007, outros três mapas temáticos elaborados com dados obtidos no âmbito do Biota-FAPESP também foram incorporados para subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo.
Também em 2007, o programa estabeleceu parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para desenvolver ferramentas que garantam a qualidade dos dados gerados pelos sistemas de monitoramento do sistema aquático paulista. Degradação recuperada.
“A questão da recuperação de áreas degradadas é tão prioritária que foi incorporada ao nome do programa, que passa a ser Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo”, disse Joly.
De acordo com Joly, que é professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o conhecimento disponível atualmente permite a implantação de bons projetos de recuperação da vegetação nativa, inclusive com a preocupação de recuperar a variabilidade genética das espécies arbóreas utilizadas. Mas, em termos da reintrodução de fauna, o conhecimento ainda é incipiente.
“Sem a presença de, por exemplo, dispersores, a dinâmica natural de recrutamento de novos indivíduos das espécies inicialmente plantadas pode ficar seriamente prejudicada e comprometer a longevidade da recuperação florestal implantada. Portanto é imprescindível investir significativamente em pesquisas com este cunho, para podermos, de fato, recuperar a biodiversidade de áreas degradadas”, destacou.
O programa realizará, nos dias 9 e 10 de novembro, na sede da FAPESP, o evento The Biota-FAPESP International Workshop on Applied Ecology and Human Dimensions in Biological Conservation. O workshop contará com a participação de palestrantes do Brasil e do exterior, que discutirão temas como ecologia histórica, direções em conservação, uso de ferramentas moleculares, ecologia aplicada e perda da diversidade e doenças infecciosas.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
I Encontro Paulista de Biodiversidade
Com foco na temática “Florestas e Sustentabilidade”, neste I Encontro será discutida a situação
atual e cenários futuros da cobertura vegetal do Estado de São Paulo e políticas públicas relacionadas, além de metodologias para a restauração e monitoramento florestal, abordando experiências voltadas a florestas e sustentabilidade.
O público-alvo do I Encontro Paulista de Biodiversidade são técnicos, lideranças e representantes de entidades ambientalistas, de agricultores e das diversas esferas de governo, profissionais da imprensa e estudantes.
O evento terá em sua programação conferências, palestras, mesas de debates e divulgação de experiências de restauração florestal, em apresentações e painéis. Dentre os projetos apresentados, os melhores, conforme a escolha do público participante,serão premiados ao final do evento.
Mais informações em: http://www.sigam.ambiente.sp.gov.br/Sigam2/Default.aspx?idPagina=7349
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Tese do resfriamento global ganha força entre estudiosos
cidades@eband.com.br
A dois meses do Congresso Mundial sobre Mudanças Climáticas, na Dinamarca, a teoria de que o planeta estaria esfriando, ao invés de aquecer, tese mais aceita, tem ganhado força entre cientistas.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação
Durante cinco dias, o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação reuniu cerca de 1.200 pessoas de várias regiões e países, que participaram de conferências e simpósios sobre diversos temas relacionados a unidades de conservação: pagamento por serviços ambientais e ecossistêmicos, impactos ambientais provocados pela exploração das reservas de petróleo ultra-profundo, entre outros temas referentes aos desafios de aliar conservação da natureza ao desenvolvimento econômico.
Dentre os destaques do congresso, estavam os debates sobre mudanças climáticas, que deixaram claro que a sociedade precisa se mobilizar para que o Brasil assuma posição de líder na COP 15 (15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que acontece em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. Os debates contaram com a participação do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB/PR), do diretor executivo do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado, e do pesquisador Philip Fearnside, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), entre outros debatedores. O prefeito de Curitiba, Beto Richa, também participou do primeiro debate anunciando a implantação do Fórum de Curitiba para Mudanças Climáticas, que vai preparar a cidade para as mudanças necessárias.
Para Malu Nunes, coordenadora do VI CBUC, o congresso foi o fórum legal para que se implementem novas medidas de proteção às unidades de conservação e para que o governo federal tome uma posição oficial em relação a COP 15. “Temos que sair na frente dos demais para proteger a nossa biodiversidade e o futuro do planeta”, afirmou.Para o almirante Ibsen de Gusmão Câmara, presidente da Rede Pró-Unidades de Conservação e conselheiro da Fundação O Boticário, o quadro atual remete a uma situação de extinção em massa das unidades de conservação. “A situação da biodiversidade está extremamente séria”, advertiu. “A luta é permanente para que se criem novas unidades de conservação na terra e no mar”, afirmou o almirante. “Não há nada mais nobre no planeta do que tentar salvar o que surgiu há 2,5 bilhões de anos”.
Para saber mais sobre o que foi discutido durante as conferências e simpósios e ouvir depoimentos completos de palestrantes, acesse o site do congresso: www.fundacaoboticario.org.br/cbuc.
Moções e Mudanças Climáticas II
O VI CBUC terminou com a aprovação de oito moções e com a realização do segundo debate sobre Mudanças Climáticas.Entre as moções aprovadas pelos participantes, por unanimidade, está a que pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento com máxima urgência de ação que garante a integridade territorial das unidades de conservação, sobretudo as de proteção integral.
Outra moção, também de relevância, pede aprovação imediata pelo Congresso Nacional de proposta de emenda constitucional que inclui os biomas Cerrado e Caatinga como patrimônios nacionais.
Das moções aprovadas, uma manifesta total repúdio as alterações feitas pelo Governo Federal nos limites do Parque Nacional da Serra da Canastra, o que coloca em risco sua própria viabilidade ecológica.
O encerramento do VI CBUC foi marcado também pela realização do segundo debate sobre Mudanças Climáticas, com participação do ex-deputado Fábio Feldmann, idealizador do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e Secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade; Tasso Rezende de Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente e integrante da equipe do Governo Federal para a COP15; e Antonio Donato Nobre, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e representante institucional do INPE.Todos foram unânimes em afirmar que o Brasil precisa estabelecer meta para redução de emissão de carbono e implantá-la imediatamente. “O Brasil é um país importante do ponto de vista ambiental e não pode deixar de exercer um protagonismo positivo”, declarou Feldmann.
Para acessar todas as moções aprovadas, clique aqui.
Sobre o CBUC
O Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação é promovido pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza desde 1997 e acontece a cada dois anos. O objetivo é disseminar conhecimento e propiciar a troca de experiências entre as pessoas que trabalham pela conservação de áreas naturais no Brasil e no mundo, com o intuito de viabilizar soluções práticas para a preservação da vida na Terra.
Extraído de: http://internet.boticario.com.br/portal/site/fundacao/menuitem.e747c775b885c43fe4e25afce2008a0c?epi_menuGrafico=Sobre_Fundacao&IDNoticia=3b2c75329fa04210VgnVCM1000006f04650aRCRD
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Mosaico revela início da ocupação no Mato Grosso

Agência FAPESP – As áreas de Cerrado no Estado de Mato Grosso estavam bem conservadas até o início da década de 1980, de acordo com um mosaico feito com imagens dos satélites Landsat 1, 2 e 3, que acaba de ser concluído pelo programa Panamazônia II, desenvolvido na Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De acordo com o Inpe, o mosaico permitiu observar que, até 1980, havia uma ocupação muito restrita nos arredores de Alta Floresta, nos garimpos do rio Peixoto de Azevedo e na serra do Roncador, onde havia grandes agropecuárias como o empreendimento Suiá Missu, que tinha na época cerca de 400 mil hectares.
“Não existiam naquele período os imensos campos de soja que vieram no final dos anos 80 e início dos anos 90”, disse o coordenador do programa Panamazônia II, Paulo Roberto Martini, da Coordenação Geral de Observação da Terra, da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe.
O mosaico foi elaborado com imagens do sensor multiespectral MSS do satélite Landsat, que registra alvos maiores que 80 metros. As imagens são compostas pelas bandas 574, que correspondem aos intervalos espectrais do vermelho, do infravermelho e do verde.
A correção geométrica foi elaborada tendo como suporte os mosaicos ortorretificados Geocover, disponibilizados pela Nasa – a agência espacial norte-americana –, que permitem tomadas de medidas internas e de localização absoluta ao nível da dimensão do pixel (80 metros). Com isso, é possível medir com boa precisão as manchas de desmatamento nas áreas de floresta e, também, aquelas iniciais das áreas de Cerrado.
O Projeto Panamazônia II atualmente analisa os biomas Floresta e Cerrado do Mato Grosso também com imagens Landsat dos anos de 1990, 2000 e 2005, com atualizações para 2008 apoiadas por imagens do satélite sino-brasileiro CBERS.
O Brasil possui, de acordo com o Inpe, um dos acervos de imagens de satélites mais antigos do mundo, pois recebe os dados Landsat desde 1973 através da estação do instituto em Cuiabá (MT).
Lançado em 1972, o Landsat foi o primeiro equipamento orbital de sensoriamento remoto de recursos terrestres, sendo o Brasil o terceiro país a receber esse tipo de imagem, depois apenas dos Estados Unidos e Canadá. O Centro de Dados de Sensoriamento Remoto do Inpe, instalado em Cachoeira Paulista (SP), disponibiliza as imagens desse acervo na página www.dgi.inpe.br/CDSR
Mais informações: www.dsr.inpe.br/panamazon.htm
terça-feira, 1 de setembro de 2009
I Workshop sobre Utilização de SIG na Análise Ambiental
O evento, que visa trazer para os participantes exemplos de abordagens de vanguarda na aplicação dos SIG´s em soluções ambientais, tem como público alvo , docentes de instituições de ensino superior, instituições públicas e privadas, terceiro setor, estudantes de graduação e pós-graduação de áreas relacionadas as ciências ambientais e profissionais com atuação nas práticas de conservação dos recursos naturais e dos processos legais através do uso de SIG´s.
Para a sua primeira edição o evento contará com o PATROCÍNIO da Geotec | MundoGeo.com | Mon
Maiores informações sobre programação e inscrições encontram-se no panfleto em anexo ou no site do Instituto Ambiente em Foco a partir de 01/09/09 (http://