quarta-feira, 23 de julho de 2008
Reserva (só) legal
Abraço a todos!
Reserva (só) legal
Aldem Bourscheit
22.07.2008
A partir de amanhã, proprietários rurais de todo o País têm 120 dias para registrarem suas reservas legais em cartório e junto aos órgãos ambientais estaduais. A novidade é que a desobediência será premiada com multa. Quem desmatou deverá fazer acordos para recuperar o que destruiu.
Essa é uma das medidas que o governo embutiu nas alterações da Lei de Crimes Ambientais, que serão publicadas em decreto nesta quarta (23). O prazo de 120 dias parece ser ainda uma divergência dentro do Ministério do Meio Ambiente. Enquanto a procuradoria-geral do Ibama informou ser esse o prazo, o presidente do órgão, Roberto Messias, falou em 180 dias ou um ano.
Reservas legais são porções de floresta que propriedades rurais são obrigadas a manter. Na Amazônia o índice é de 80% e, no Cerrado, de 35%. Nas matas de transição entre esses dois biomas deve-se conservar 50%, enquanto no restante do País a taxa é de 20%.
Nas regiões mais economicamente exploradas, como Sudeste, Sul e Centro-Oeste, é raro se avistar essas matas. O presidente do Ibama, Roberto Messias, reconhece a enorme deficiência nacional em reservas legais, mas acredita na sua recomposição. “Se todas as propriedades da Mata Atlântica tivessem reserva legal, teríamos 20% do bioma preservado. Tem um déficit de reservas legais preservadas no País. Mas progressivamente vamos recuperar uma quantidade muito grande de áreas”, disse. Resta menos de 8% de Mata Atlântica no Brasil.
Crimes verdes
As alterações legislativas também encurtam os prazos para recursos contra autuações, elevam o valor de multas e tipificam outras agressões contra o meio ambiente. A partir de agora, os recursos de multas passarão agora por apenas duas instâncias administrativas, no Ibama ou Instituto Chico Mendes e depois no Conselho Nacional do Meio Ambiente. Antes, eram quatro. O embate judicial podia durar de cinco a oito anos. O governo quer reduzi-lo para menos da metade.
Recorrer à Justiça continua valendo, mas a procuradora-geral do Ibama e ICMBio avisa que o governo fará marcação cerrada. “Recorrer ao Judiciário é um direito de todos, mas esperamos que a legislação ambiental seja mais bem cumprida, para a proteção do meio ambiente. O Ibama atuará cassando liminares”, disse Andréia Vulcanes. Hoje, cerca de 5% das multas aplicadas pelo governo são pagas. “É uma desmoralização”, disse o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), que deu agora para chamar Lula de “ecopresidente”. Metade do dinheiro segue para o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o restante com destino definido por ICMBio e Ibama.
Também virou crime não dar destino correto a pneus e outras substâncias tóxicas, liberar odores desagradáveis no ar que se respira, molestar baleias, golfinhos, peixes-boi, focas e leões-marinhos, além de não cumprir embargos de equipamentos, propriedades e outros bens. Aliás, o Ibama passa a ter agora poderes semelhantes aos da Receita Federal. Depois de todos os recursos judiciais, o órgão poderá leiloar ou até usar veículos e outros itens apreendidos em fiscalizações. “Vai acabar com essa moleza. Toras, grãos, gado, tudo poderá ser leiloado. Isso é mais forte do que multa ambiental”, enfatizou Minc. Antes, a única opção do Ibama era a doação.
Semana que vem a Universidade de Brasília recebe 30 caminhões com toras apreendidas na Bahia. Além disso, empresas que não cansam de acumular multas poderão ter autorizações de funcionamento cassadas ou suspensas por anos. Outra novidade é a possível aplicação do valor das multas na recuperação de áreas degradadas e outras ações, como Educação Ambiental ou manutenção de centros de recuperação de animais silvestres. Cada caso será julgado pelos órgãos ambientais. Essa medida está atrelada à redução dos descontos para pagamento das infrações, de 90% para 40%. “Quem for picareta e achar que pode enganar todo mundo o tempo todo, tem que levar bordoada. O País tem que agir com mais seriedade na área ambiental”, disse Lula.
Ao presidente não faltam oportunidades para colocar tudo isso em prática, como o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, o combate ao desmatamento na Amazônia e a expansão das lavouras para biocombustível.
Guarda nacional
O pacote legislativo anunciado hoje também cria um programa de segurança ambiental, criando a figura do guarda-parques e a guarda ambiental nacional. Tudo depende de parcerias com estados para que bombeiros, batalhões ambientais e florestais das polícias militares ajudem Ibama e ICMBio a conter desmatamentos, queimadas, caça e outras ilegalidades, dentro e fora de unidades de conservação. Dezesseis estados já disseram sim aos acordos. Haverá repasse de dinheiro federal. “Ou o governo se reeduca para fazer parcerias com estados e prefeituras ou não se conseguirá preservação ambiental. Fica muito mais fácil se organizações locais tomarem conta (de algumas ações ambientais)”, acredita o presidente Lula.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Novidades no CBERS-3
Uma câmera feita no Brasil para fotografar a Terra vai equipar o satélite sino-brasileiro Cbers-3
Yuri Vasconcelos
Edição Impressa 148 - Junho 2008
Pesquisa FAPESP -
© Eduardo Cesar
Lentes em tratamento anti-reflexo na Opto Eletrônica.
O lançamento do próximo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-3), previsto para abril de 2010, será um momento importante não apenas para o programa espacial brasileiro – já que este é o quarto artefato da série e boa parte dele está sendo desenvolvida no país –, mas também para a Opto Eletrônica, empresa com sede em São Carlos, no interior paulista, responsável pelo projeto e fabricação de uma das câmeras do satélite capaz de fotografar a crosta terrestre.
domingo, 22 de junho de 2008
Gestão Ambiental do Agronegócio
Dia 25/06 ( próxima quarta) haverá um evento na UNICAMP sobre Gestão e Certificação ambiental nas unidade de produção agropecuárias, especificamente serão tratados a cadeia do Papel e Celulose, Café, frutas, o setor sucro-alcooleiro e assentamento rurais.
Inscrições e mais informações : http://www.cori.unicamp.br/foruns/extras/foruns_extras.php
PROGRAMA
9h00 - Abertura
Prof. Dr. Fernando Costa - Coordenador-Geral da UnicampProf. Dr. Luis Barbosa Cortez - Coordenador da CORIProf. Dr. Denis Miguel Roston - Diretor da FEAgriProf. Dr. Nilson Antonio Modesto Arraes - OrganizaçãoPesquisadora Dra. Herta Avalos Viegas - OrganizaçãoMsc. Geógrafo Luis Ribeiro Vilela Filho - Organização
09h15 - Gestão e Certificação Ambiental de Fazendas
Daniela Mariuzzo - Responsabilidade Sócio-Ambiental Rabobank
09h30 - Cadeia Agroindustrial do Papel & CeluloseCertificação FSC Forest Stewartship Council
Moderador: Dr. Paulo Sérgio Garcia de Oliveira - Arborea Ambiental
João Carlos Augusti - Gerente de Meio ambiente da VCP
Vanilda R. Souza Shimoyama - Representante SCS e Coordenadora técnico-administrativo do programa de certificação de manejo e cadeia de custódia da SCS no Brasil
10h15 - Café com Pôster
10h45 - Cadeia Agroindustrial do Café Certificação RAS Rede de Agricultura Sustentável
Moderador: Gustavo Junqueira - Arborea Ambiental
Flávia Olivito Lancha Alves de Oliveira - Sócia-proprietária da Labareda Agropecuária
Edson Roberto Teramoto - Coordenador de Certificação Agrícola da IMAFLORA
11h30 - Cadeia Agroindustrial das FrutasCertificação GlobalGAP
Moderador: Adriana Ferrer Martins
Maurício Brotto - Brotto Figs
Kátia Leal Nogueira - Representante da SGS e Diretora da SGS BR
12h30 - Almoço
14h00 - Gestão e Certificação Ambiental no Setor Sucro-Alcooleiro
Moderador: Prof. Dr. Paulo Sérgio Graziano Magalhães
Luiz Ricardo Viegas de Carvalho - Assessor da SMA e Coordenador do Programa “Etanol Verde”
Carlo Linkevieius Pereira - Consultor em Soluções para Negócios Sustentáveis da PricewaterhouseCoopers
15h15 - Café com Pôster
15h45 - Licenciamento Ambiental de Assentamentos Rurais
Moderadora: Prof. Dra. Sonia Maria Perreira Pessoa Bergamasco
Alex Y. Kawakami - Representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Maria Cristina Poletto - Representante do Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental (DAIA/SMA)
Pedro de Lima Marin - Representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA/ SP)
17h00 - Encerramento
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Blog sobre Conservação de Solos
Para os interessados, segue um blog sobre conservação de solos. O blog aborda diversos aspectos sobre ciência do solo e meio ambiente. Acho que pode ser útil.
http://geofagos.wordpress.com/
Abraços
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Mais sobre reserva legal.
Ao que parece a discussão sobre reserva legal na mídia tende a ganhar mais espaço.
Dinheiro para reserva legal
Governo financia recuperação florestal em fazendas
Depois de fazer exigências ambientais severas para conceder crédito aos municípios do bioma amazônico, o governo decidiu subsidiar o reflorestamento de áreas desmatadas nos Estados do Norte e Centro-Oeste. Incluída na medida provisória (MP) de refinanciamento das dívidas agrícolas, a medida prevê uma linha de financiamento com taxa de juros subsidiadas para recomposição da chamada reserva legal das fazendas das duas regiões, situadas nos biomas da Amazônia e do Cerrado. A reserva legal é a área que os proprietários rurais são obrigados a manter com cobertura florestal sem exploração agropecuária.
É a primeira vez que o governo inclui num pacote agrícola uma medida voltada para o meio ambiente. Ela "compensa" a polêmica decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), que há três meses aprovou uma resolução proibindo os bancos oficiais e privados de conceder financiamento agrícola aos proprietários rurais do bioma da Amazônia que não estejam cumprindo a reserva legal. Devido à restrição do CMN, muitos produtores da região terão dificuldades, nos próximos anos, para financiar a safra enquanto não atenderam as normas ambientais.
Os recursos do novo financiamento serão oferecidos com taxa de juro de 4% ao ano (bem abaixo do mercado) e prazo de pagamento de até 20 anos.
As regras do financiamento "verde" devem constar em resolução a ser publicada nos próximos dias pelo Ministério da Integração Nacional.
"São medidas compensatórias do ponto de vista ambiental previstas no Plano Amazônia Sustentável", disse o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. A avaliação do governo é que a linha de crédito vai estimular o produtor a regularizar a sua situação e, com isso, voltar a obter o crédito. Os empréstimos serão oferecidos por Banco do Brasil (BB) e da Amazônia (Basa), que administram, respectivamente, os fundos constitucionais do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO).
Na avaliação do gestor de instrumentos financeiros do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Manoel Serrão, a medida só terá resultados práticos se houver efetiva cobrança e fiscalização da reserva legal
Fabíola Salvador e Adriana Fernandes
O Estado de São PauloSP quer 'ilhas de diversidade' entre canaviais
SP quer 'ilhas de diversidade' entre canaviais
Além disso, o governo só pretende conceder licenciamento ambiental a novos empreendimentos sucroalcooleiros e para o plantio de cana onde haja a possibilidade dessa reconstituição ambiental. 'A proposta é a de autorizar novas usinas e novos plantios em áreas que são indicadas para a formação desses corredores, que hoje não têm vegetação nativa. A medida é para assegurar que a matriz da paisagem não seja o canavial, que existam ilhas de diversidade e que funcionem como pontos de ligação para a fauna', disse a coordenadora do Projeto de Matas Ciliares, da Secretaria de Meio Ambiente, Helena Carrascosa.
A medida poderá, no entanto, ajudar o proprietário de terra a utilizar essas ilhas de biodiversidade na formação dos 20% que precisa manter de áreas de preservação em sua propriedade. Mas não o eximirá de manter as áreas de preservação permanentes, como as distâncias legais de cursos de água, onde é obrigatória a manutenção de matas ciliares.
TNC, FAMATO E SEMA divulgam dados sobre a vegetação da Bacia Hidrográfica do Rio São Lourenço
De acordo com Glauco Freitas, coordenador do Projeto pela TNC, "o projeto demonstra que é possível envolver o poder público e a sociedade civil para garantir a qualidade da água de uma das bacias hidrográficas mais importantes para a produção agropecuária da região, além da conservação da biodiversidadeaquática, de extrema importância."A análise dos passivos ambientais de 750 mil hectares incluiu os municípios de Poxoréu, Dom Aquino, Jaciara, Juscimeira, São Pedro da Cipa, Rondonópolis e Campo Verde, e verificou que há um déficit de 17% de RL na área de Cerrado e de 21% na área de transição entre Cerrado e floresta. A RL é a porcentagem de área com vegetação nativa a ser preservada em cada propriedade rural, determinada pelo Código Florestal Brasileiro. A capacidade de regeneração significativa das áreas de mata ciliar degradadas da região é fundamental para agilizar e baratear o custo da recuperação destas matas e garantir os serviços ambientais por ela prestados. O levantamento identificou que 40% das matas ciliares precisam ser restauradas.Glauco explica que a capacidade de regeneração da vegetação nativa se dá devido à quantidade de remanescentes de cerrado existente na região capaz de produzir e dispersar sementes que nascerão sozinhas, sem necessidade de grandes áreas de plantio de espécies nativas. "Para que a regeneração natural ocorra também é preciso retirar os fatores que causam a degradação, como fogo e o pisoteio do gado", complementa. O trabalho de capacitação dos técnicos e extensionistas da região para recuperação de áreas degradadas será realizado nos meses de junho e julho próximos pela Sema, TNC e ESALQ/USP, com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).Esses resultados fazem parte dos dados levantados em dois anos e meio de trabalho pelo projeto Cerrado Sustentável Agricultura e Conservação, que contou com o apoio financeiro da Caterpillar, e serão apresentados no Encontro Internacional de Negócios da Pecuária (Enipec), no Centro de Eventos Pantanal, em Cuiabá, às 18h15min, no Auditório dos Pássaros.Na ocasião, será lançada a publicação "Recuperação de áreas degradadas - uma proposta para o cerrado da Bacia Hidrográfica do Rio São Lourenço-MT", em versão para o produtor rural. A equipe do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Escola Superior Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Lerf/Esalq/USP) foi a responsável pelos dados técnicos da publicação, fruto da pesquisa de campo realizada em 2007 na região.As instituições parceiras do projeto reconhecem que o Vale do Rio São Lourenço é carente em termos de desenvolvimento econômico e, sem recursos financeiros, é muito difícil recuperar áreas degradadas. Por isso, o projeto fez um estudo da cadeia produtiva da pecuária na região e está sugerindo formas de melhorar a performance econômica do produtor rural. Para Amado Oliveira, representante da Famato no Projeto, "a parceria foi feita para identificar os problemas ambientais, mas também para buscarmos juntos uma solução para os problemas." (Fonte: TNC/Lead Comunicação)