terça-feira, 3 de junho de 2008

Viva a Mata 2008

Colegas, seguem algumas fotos do Viva a Mata 2008, evento promovido pela SOS Mata Atlântica no último final-de-semana, no Ibirapuera (SP), para divulgar a importância da conservação do bioma Mata Atlântica.

O LERF e a Bioflora foram convidados a participar do estande de Restauração Florestal, tendo em vista trabalhos recentes em conjunto, especialmente o Centro de Experimentos em Itu. Andrezza, Pedro e eu participamos, além do André e Ricardo.
O evento foi voltado ao público leigo, e muitas crianças visitaram a exposição.

O que teve de gente que saiu com mudas e sementes de árvores não tá escrito!! Se isso servir para multiplicar um pouquinho a causa pela conservação do bioma, o evento terá cumprido seu papel.
Confesso que não é o tipo de evento onde me sinto mais à vontade, pois minha formação não ajuda muito a lidar com público mais leigo, mas é um evento válido.
Olha aí embaixo o Pedro ensinando as futuras gerações!!


Curso sobre Biologia da Conservação

Seguem informações sobre curso na Fundação O Boticário:

BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO – Corumbá (MS)

A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza está com as inscrições abertas para o curso de “Biologia da Conservação”, em Corumbá (MS). As vagas são limitadas e os candidatos deverão se inscrever pelo site da organização: www.fundacaoboticario.org.br.

Objetivos:
Apresentar os aspectos da ecologia e da genética que constituem os fundamentos da biologia da conservação; discutir como estes aspectos das ciências são aplicados à atividade prática de conservação da natureza, incluindo subsídios teóricos e práticos para categorização e design de unidades de conservação.

Realização: 28 de julho a 01 de agosto
Local: Estação Natureza Pantanal (Corumbá/MS)
Período de inscrição: 03 de junho a 03 de julho
Divulgação dos selecionados: 07 de julho
Carga horária: 40 horas

Conteúdo Programático:
Histórias das relações homem-natureza;
A presente crise de biodiversidade;
Biologia da conservação: para que serve e o que é?;
Causas gerais de perda da biodiversidade;
Relações espécies-área;
Biogeografia de ilhas;
Contribuições da ecologia de comunidades para a biologia da conservação;
Fragmentação de ecossistemas;
Padrões espaciais;
Vulnerabilidade de espécies à extinção;
Áreas protegidas: categorização e fundamentos de manejo (SNUC);
Definição de áreas protegidas: categorização, design e manejo.
Público Alvo:
Profissionais que atuem em áreas naturais protegidas;
Estudantes de graduação e pós-graduação em áreas afins.
Instrutores:
Fernando A. dos Santos Fernandez: Biólogo, Ph.D. em Ecologia, professor do Departamento de Ecologia e Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Maísa dos Santos Guapyassú: Engenheira Florestal, Mestre em Conservação da Natureza e analista de projetos da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.
Preço:
O valor do curso é R$ 200,00 e inclui o material didático. Alimentação e hospedagem não estão inclusas.

Inscrições pelo site:
www.fundacaoboticario.org.br (acesse o menu “Educação e Mobilização” e, em seguida, o link “Cursos”)

Mais Informações:
Fone: (41) 3340-2637 | Fax: (41) 3340-2635 | E-mail: capacitacao@fundacaoboticario.org.br

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Blog sobre Conservação de Solos

Olá,

Para os interessados, segue um blog sobre conservação de solos. O blog aborda diversos aspectos sobre ciência do solo e meio ambiente. Acho que pode ser útil.

http://geofagos.wordpress.com/

Abraços

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Mais sobre reserva legal.

Nos últimos posts falamos muito sobre a reserva legal no estado de São Paulo. Segue uma notícia sobre a questão nas regiões norte e centro-oeste. Acho a inicítiava legal, desde que haja fiscalização adequada. Caso contrário corre-se o risco de o financiamento obtido para plantar floresta seja usado para preencher a "lacuna" existente em seus bolso do proprietário decorrente da restrição de crédito. Basta lembrar de um passado recente em o governo federal fomentou, através de financiamentos, a abertura de pastagens na amazônia. O dinheiro foi pra mão dos propietários das terras que, graças a deus e a falta de fiscalização, acharam melhor colocar a grana na "poupança".

Ao que parece a discussão sobre reserva legal na mídia tende a ganhar mais espaço.

Dinheiro para reserva legal

Governo financia recuperação florestal em fazendas

Depois de fazer exigências ambientais severas para conceder crédito aos municípios do bioma amazônico, o governo decidiu subsidiar o reflorestamento de áreas desmatadas nos Estados do Norte e Centro-Oeste. Incluída na medida provisória (MP) de refinanciamento das dívidas agrícolas, a medida prevê uma linha de financiamento com taxa de juros subsidiadas para recomposição da chamada reserva legal das fazendas das duas regiões, situadas nos biomas da Amazônia e do Cerrado. A reserva legal é a área que os proprietários rurais são obrigados a manter com cobertura florestal sem exploração agropecuária.

É a primeira vez que o governo inclui num pacote agrícola uma medida voltada para o meio ambiente. Ela "compensa" a polêmica decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), que há três meses aprovou uma resolução proibindo os bancos oficiais e privados de conceder financiamento agrícola aos proprietários rurais do bioma da Amazônia que não estejam cumprindo a reserva legal. Devido à restrição do CMN, muitos produtores da região terão dificuldades, nos próximos anos, para financiar a safra enquanto não atenderam as normas ambientais.

Os recursos do novo financiamento serão oferecidos com taxa de juro de 4% ao ano (bem abaixo do mercado) e prazo de pagamento de até 20 anos.

As regras do financiamento "verde" devem constar em resolução a ser publicada nos próximos dias pelo Ministério da Integração Nacional.

"São medidas compensatórias do ponto de vista ambiental previstas no Plano Amazônia Sustentável", disse o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. A avaliação do governo é que a linha de crédito vai estimular o produtor a regularizar a sua situação e, com isso, voltar a obter o crédito. Os empréstimos serão oferecidos por Banco do Brasil (BB) e da Amazônia (Basa), que administram, respectivamente, os fundos constitucionais do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO).

Na avaliação do gestor de instrumentos financeiros do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Manoel Serrão, a medida só terá resultados práticos se houver efetiva cobrança e fiscalização da reserva legal


Fabíola Salvador e Adriana Fernandes

O Estado de São Paulo

SP quer 'ilhas de diversidade' entre canaviais

Meio ambiente e adequação ambiental invadindo, ainda que de maneira discreta, as páginas do suplemento agrícola do Estado de São Paulo.

SP quer 'ilhas de diversidade' entre canaviais

28/05 - 15:41
O governo de São Paulo quer acabar com a paisagem, comum no interior do Estado, de grandes canaviais, com a exigência de que existam ilhas de diversidade no meio das plantações. Entre outras medidas, projeto preparado pelo governo paulista com novas diretrizes para a concessão de licenças ambientais a usinas e destilarias até 2010 vai exigir o plantio de espécies nativas e ainda a disposição dessas ilhas de diversidade nos canaviais, de maneira que formem corredores de conectividade entre elas.

Além disso, o governo só pretende conceder licenciamento ambiental a novos empreendimentos sucroalcooleiros e para o plantio de cana onde haja a possibilidade dessa reconstituição ambiental. 'A proposta é a de autorizar novas usinas e novos plantios em áreas que são indicadas para a formação desses corredores, que hoje não têm vegetação nativa. A medida é para assegurar que a matriz da paisagem não seja o canavial, que existam ilhas de diversidade e que funcionem como pontos de ligação para a fauna', disse a coordenadora do Projeto de Matas Ciliares, da Secretaria de Meio Ambiente, Helena Carrascosa.

A medida poderá, no entanto, ajudar o proprietário de terra a utilizar essas ilhas de biodiversidade na formação dos 20% que precisa manter de áreas de preservação em sua propriedade. Mas não o eximirá de manter as áreas de preservação permanentes, como as distâncias legais de cursos de água, onde é obrigatória a manutenção de matas ciliares.

Estado de São Paulo
Autor: Gustavo Porto

TNC, FAMATO E SEMA divulgam dados sobre a vegetação da Bacia Hidrográfica do Rio São Lourenço

Cerrado 29/05/2008

A The Nature Conservancy (TNC), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema-MT) divulgam nesta quinta-feira, dia 29, os resultados do Projeto Cerrado Sustentável - Agricultura e Conservação, que analisou os passivos ambientais de Reserva Legal (RL) e Área de Preservação Permanente (APP) de 750 mil hectares em sete municípios da Bacia Hidrográfica do Rio São Lourenço, em Mato Grosso, e indica que há uma capacidade de regeneração significativa das áreas de mata ciliar da região.
De acordo com Glauco Freitas, coordenador do Projeto pela TNC, "o projeto demonstra que é possível envolver o poder público e a sociedade civil para garantir a qualidade da água de uma das bacias hidrográficas mais importantes para a produção agropecuária da região, além da conservação da biodiversidadeaquática, de extrema importância."A análise dos passivos ambientais de 750 mil hectares incluiu os municípios de Poxoréu, Dom Aquino, Jaciara, Juscimeira, São Pedro da Cipa, Rondonópolis e Campo Verde, e verificou que há um déficit de 17% de RL na área de Cerrado e de 21% na área de transição entre Cerrado e floresta. A RL é a porcentagem de área com vegetação nativa a ser preservada em cada propriedade rural, determinada pelo Código Florestal Brasileiro. A capacidade de regeneração significativa das áreas de mata ciliar degradadas da região é fundamental para agilizar e baratear o custo da recuperação destas matas e garantir os serviços ambientais por ela prestados. O levantamento identificou que 40% das matas ciliares precisam ser restauradas.Glauco explica que a capacidade de regeneração da vegetação nativa se dá devido à quantidade de remanescentes de cerrado existente na região capaz de produzir e dispersar sementes que nascerão sozinhas, sem necessidade de grandes áreas de plantio de espécies nativas. "Para que a regeneração natural ocorra também é preciso retirar os fatores que causam a degradação, como fogo e o pisoteio do gado", complementa. O trabalho de capacitação dos técnicos e extensionistas da região para recuperação de áreas degradadas será realizado nos meses de junho e julho próximos pela Sema, TNC e ESALQ/USP, com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).Esses resultados fazem parte dos dados levantados em dois anos e meio de trabalho pelo projeto Cerrado Sustentável Agricultura e Conservação, que contou com o apoio financeiro da Caterpillar, e serão apresentados no Encontro Internacional de Negócios da Pecuária (Enipec), no Centro de Eventos Pantanal, em Cuiabá, às 18h15min, no Auditório dos Pássaros.Na ocasião, será lançada a publicação "Recuperação de áreas degradadas - uma proposta para o cerrado da Bacia Hidrográfica do Rio São Lourenço-MT", em versão para o produtor rural. A equipe do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Escola Superior Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Lerf/Esalq/USP) foi a responsável pelos dados técnicos da publicação, fruto da pesquisa de campo realizada em 2007 na região.As instituições parceiras do projeto reconhecem que o Vale do Rio São Lourenço é carente em termos de desenvolvimento econômico e, sem recursos financeiros, é muito difícil recuperar áreas degradadas. Por isso, o projeto fez um estudo da cadeia produtiva da pecuária na região e está sugerindo formas de melhorar a performance econômica do produtor rural. Para Amado Oliveira, representante da Famato no Projeto, "a parceria foi feita para identificar os problemas ambientais, mas também para buscarmos juntos uma solução para os problemas." (Fonte: TNC/Lead Comunicação)


sábado, 24 de maio de 2008

Lei Estadual sobre Reserva Legal

Colegas, segue abaixo, na íntegra, reportagem do site O Eco sobre nova lei de São Paulo que regulamenta a questão da Reserva Legal. Vale a pena a leitura, embora seja um texto longo. Sem querer influenciar, mas minha opinião é semelhante à do Fábio Olmos, ao fim.
Vale lembrar que essa Lei precisa ser inserida no item de legislação ambiental dos relatórios de adequação.

Reserva exótica
Cristiane Prizibiszcki
21.05.2008
Propostas de mudança no Código Florestal Brasileiro (Lei 4771/65), como as que prevêem diminuição da Reserva Legal de 80% para 50% na Amazônia e autorização para o plantio de espécies exóticas para fins de recuperação, têm gerado discussões acaloradas no Congresso Nacional. Enquanto isso, a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou, a toque de caixa, uma lei que permite a recomposição da Reserva Legal do Estado com a introdução de espécies exóticas. De autoria do deputado Valdomiro Lopes (PSB-SP), a lei foi promulgada pelo governador José Serra no dia 23 de abril, apenas quarenta dias depois do começo de sua tramitação. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente só divulgou a notícia na segunda semana de maio.

A norma 12.927 diz que o proprietário que tiver sua área de Reserva Legal menor do que o previsto na legislação poderá “optar por recompor a vegetação no próprio imóvel, por meio de plantio de espécies arbóreas exóticas, intercaladas com espécies arbóreas nativas de ocorrência regional ou pela implantação de Sistemas Agroflorestais”. O que a lei propõe é um sistema de plantio consorciado em que o percentual máximo de plantas exóticas não ultrapasse 50%. Também está previsto que os proprietários que optarem por esse tipo de plantio têm direito a sua exploração, mas não podem replantá-las ao fim do ciclo de produção do plantio inicial, de modo que elas atuem como espécies pioneiras da recomposição vegetal. Ficam liberadas desta restrição as pequenas propriedades – com área até 30 hectares – manejadas para subsistência.

A lei ainda determina que só poderão ser plantadas espécies exóticas que já ocorrem no bioma, como a seringueira. As plantas consideradas “espécies-problema”, ou seja, aquelas que poderão interferir negativamente no desenvolvimento da recuperação florestal, como a Leucaena spp, Pinus spp, Brachiaria spp, entre outras, estão vetadas no Estado. A lei será regulamentada em 90 dias, a contar da data de sua publicação, e os proprietários que optarem por ela terão prazo de até oito anos para que seja efetivada.

De olho no agronegócio
O texto da lei 12.927 começou a ser formulado há cerca de três meses, depois que um outro projeto do deputado Valdomiro Lopes - que propunha a recomposição da Reserva Legal com 100% de espécies exóticas – ter sido vetado pelo governador José Serra. Na época, o projeto de lei passou pela Assembléia. Ambos os projetos de Lopes partiram das reivindicações de proprietários rurais no interior de São Paulo, descontentes com o Decreto 50.889, assinado pelo então governador Cláudio Lembo em junho de 2006, que regulamentou o Código Florestal e exigiu que a determinação do percentual de 20% de Reserva Legal fosse seguida à risca. Segundo Lopes, a reclamação centrava-se no fato de que, se cumprido o decreto, o Estado perderia 10% de suas áreas cultiváveis, o que traria um impacto econômico muito grande aos produtores paulistas. “Em algumas comarcas, principalmente na minha região, no Norte e Noroeste do Estado, os promotores começaram a chamar os proprietários rurais e a notificá-los para que cumprissem essa lei. Isso criou um alvoroço muito grande lá, principalmente porque é uma região focada no agronegócio. Então eles me procuraram [os produtores rurais], eu coloquei minha equipe para fazer um estudo”, argumenta Lopes.

Como o projeto de recuperar as áreas de Reserva Legal degradadas com introdução somente de espécies exóticas não passou pelo crivo do governador José Serra, o segundo foi criado, com a determinação de que a introdução de espécies nativas e exóticas fosse igualitária. “O governador sugeriu que fosse feito um estudo do impacto no meio ambiente e foi quando eu ganhei um grande aliado, que foi o secretário da agricultura [João de Almeida Sampaio Filho]. O secretário Xico [Francisco Graziano] também achou boa a idéia, então eu coloquei alguns técnicos da minha equipe e eles colocaram algumas pessoas da secretaria [...] Discutimos o percentual e chegamos à conclusão de que 50% seria o número ideal”, diz o deputado, que atribui a rapidez com que o projeto foi aprovado a este “acordo” de porcentagem feito entre as secretarias e sua equipe.

Bom tom
Segundo dados da SMA, hoje São Paulo possui 230 mil propriedades rurais. Destas, cerca de 200 mil não cumprem os 20% de Reserva Legal previstos na lei. Tendo à frente este cenário, o argumento da SMA é que vale mais uma floresta mista em que as espécies exóticas funcionem como pioneiras e, a longo prazo, cumpram com sua função de biodiversidade, do que o quadro que existe hoje, em que a presença de florestas é praticamente zero. “A lei regulamenta uma coisa que já está prevista no Código Florestal”, diz Helena Carrascosa, técnica da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo.

De acordo com ela, a idéia é que tanto as árvores exóticas quanto os sistemas agroflorestais sejam conduzidos de forma a permitir a regeneração natural das áreas. “Acho que ele [Projeto de Lei] foi aprovado tão rápido porque junta os interesses de produção e conservação. Esse é o tom da proposta e foi, inclusive, a sinalização para a Assembléia”, diz. Para Carrascosa, apesar de a “regra geral” da conservação ser priorizar o plantio de espécies nativas, ainda não é possível implantar medidas neste sentido no Estado, devido ao seu alto custo. “Sabemos por muitos trabalhos de pesquisa que se você visitar uma área que foi implantada uma floresta só com nativa e uma outra área que foi um SAF, depois de uns 30 anos é igual, tem a mesma diversidade, chega no mesmo lugar. Só que, ou chega no mesmo lugar de um jeito que é mais caro e que você acaba contrapondo a idéia de ‘ou produz ou preserva’, ou chega no mesmo lugar enquanto você produz e preserva ao mesmo tempo”, argumenta.

Quem também comemorou a lei foi a ONG SOS Mata Atlântica, cuja linha de pensamento segue a da SMA. Segundo Mário Mantovani, diretor da entidade, a aprovação da lei foi uma “boa surpresa” para o Estado. “Hoje a Reserva Legal só existe no papel. Em Araçatuba, por exemplo, onde fizemos um levantamento no cartório, só 2% dela são averbados, então significa que ela não existe. Eu acho não é a principal, mas [a aprovação da lei] é uma das estratégias pra fazer São Paulo ter a Reserva Legal recomposta”, diz.

Contraponto
Apesar do clima otimista com que a lei 12.927 foi recebida, há quem vê com ceticismo a proposta da SMA. Segundo o pesquisador Mauro Galetti, doutor em ciências biológicas pela Universidade de Cambridge e especialista em biologia da conservação, as experiências de introdução de espécies exóticas ou Sistemas Agroflorestais já feitas no Brasil foram “desastrosas”. Isso porque, segundo ele, apenas algumas conseqüências desta introdução são previsíveis e sempre ocorrem situações inesperadas, como o descontrole da dispersão da espécie, que pode tomar o lugar das plantas nativas e tornar-se um problema ambiental. “A jaca, por exemplo, foi introduzida em várias florestas, na Tijuca, em Ilha Grande, Ilhabela. Mas hoje, se não for controlada, ela pode ser uma invasora e competir com as plantas nativas e, com isso, reduzir a diversidade da floresta. Por outro lado, a mesma jaca alimenta diversas espécies nativas onde ela ocorre. Removê-la dos biomas seria um erro enorme, antes teríamos que aumentar a ‘capacidade suporte’ dessas florestas, para que quando tirarmos as jacas, os animais não morram de fome”, explicou ele.

Segundo Galetti, as Reservas Legais devem ser áreas o mais naturais possível e só cumprirão sua função quando tiverem alta diversidade de espécies nativas, abundância de plantas-chave, como palmeiras e figueiras, e quando as espécies plantadas contemplarem uma seqüência fenológica que faça com que essa área tenha sempre flores e frutos para a fauna local. “O problema maior dessas ‘grandes idéias' é que elas carecem de dados científicos e visam mais o interesse do proprietário do que o da natureza. O Brasil possui a maior diversidade de plantas do mundo, por que em vez de escolhermos espécies exóticas não colocamos as nativas? Existem inúmeras espécies nativas que podem ser usadas como pioneiras ou de sucessão inicial”, argumenta o pesquisador, em crítica à nova lei paulista.

Para Fábio Olmos, biólogo e doutor em zoologia, a existência da lei 12.927 deve estar associada à capacidade da SMA de acompanhar os proprietários que adotarem as determinações e à escolha e manejo das espécies que serão implantadas. “A questão é: quais espécies exóticas serão utilizadas na proposta da secretaria. Pelo que entendi há um cuidado para evitar o uso de espécies que sejam invasivas, isso realmente é uma preocupação válida e é uma coisa que a secretaria tem que estar atenta”, defende. De acordo com o pesquisador - que defende a lei, mas não a generaliza para outros biomas brasileiros – a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo é uma das que tem maior corpo técnico e que conta com amplo apoio da Polícia Ambiental. Por essas razões, ele acredita que o órgão está com a faca e o queijo na mão para dar início a um bom trabalho de recomposição da Reserva Legal no Estado. “Jamais vai ser o que tinha antes, mas o produto final da implantação de medidas como as especificadas na lei acaba sendo melhor do que o que temos hoje”, defende.